Ejaculação Prematura - Urologista no Porto especialista em disfunção erétil - Prof. Nuno Tomada Ejaculação Prematura - Urologista no Porto especialista em disfunção erétil - Prof. Nuno Tomada
Home > Doenças > Ejaculação Prematura

Doenças

Ejaculação Prematura

Ejaculação prematura foi definida em 2008 pela International Society of Sexual Medicine como uma disfunção sexual masculina caracterizada pela ejaculação que ocorre sempre ou quase sempre antes ou até um minuto após a penetração vaginal, associada a incapacidade de atrasar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações vaginais, e também a consequências pessoais negativas como angústia, incómodo, frustração e/ou evitamento de intimidade sexual. Globalmente, a ejaculação precoce afecta, tanto no homem como na sua parceira, a identidade e função sexuais, e a qualidade de vida. Ao longo do tempo, desencadeia uma cascata de eventos negativos incluindo a redução na confiança na capacidade sexual e auto-estima, aumentando a irritabilidade e angústia pessoal, conduzindo em última análise à deterioração da líbido e a dificuldades de relacionamento interpessoais. Apesar das consequências psicossociais negativas, a ejaculação precoce permanece sub diagnosticada e consequentemente sub tratada pelos médicos.

Sem título-20

É geralmente classificada em Primária (existe desde o início da actividade sexual, independentemente da parceira ou de experiências sexuais e mantém-se durante toda a vida), Secundária ou adquirida (surge após um período com tempos de ejaculação normais), Variável natural (representa uma variabilidade natural da sexualidade) e a ejaculação do tipo prematura (apesar da queixa de ejaculação prematura por parte do homem, os tempos de latência ejaculatória intravaginal estão normais ou até prolongados).
A investigação epidemiológica revela que é a disfunção sexual masculina mais frequente. Contudo há uma disparidade substancial entre a incidência da ejaculação prematura nos estudos epidemiológicos que se baseiam na auto-avaliação pelos doentes e a sugerida por estudos baseados na medição do tempo de latência ejaculatória intravaginal avaliada por cronómetro. O tempo médio normal é de cerca de 5,4 minutos, diminui com a idade e varia com a distribuição geográfica, e suporta a noção que menos de 1 minuto representa um tempo claramente anormal comparativamente com homens da população geral do ocidente.

No passado a etiologia da ejaculação precoce era considerada exclusivamente psicológica: ansiedade de performance durante a relação sexual, conflitos inconscientes mal-resolvidos, problemas interpessoais, condicionamentos traumáticos prévios e reduzida frequência sexual. Nas últimas 2 décadas evidenciou-se que a ejaculação precoce pode decorrer de patologia somática e alterações neurobiológicas (alterações hormonais, prostatite, entre outras etiologias orgânicas).

O diagnóstico da ejaculação prematura baseia-se na história médica e sexual. Existem contudo outros aspectos que também têm de ser valorizados. Os estudos mais recentes demonstram que a ejaculação prematura tem um impacto considerável não só no homem como também no casal. A ejaculação prematura pode causar graves efeitos na relação ao reduzir a satisfação com o sexo e a qualidade de vida, bem como ao criar o evitamento da intimidade. Assim ao ser considerado um problema de casal, a ejaculação prematura também conduz a alterações psicossociais na mulher o que reduz a sua qualidade de vida. As parceiras de doentes com ejaculação precoce apresentam maior insatisfação com a relação sexual e referem estar com maiores dificuldades de relacionamento interpessoal. Adicionalmente a satisfação da parceira com a relação sexual diminui de forma proporcional como aumento da gravidade da doença masculina. Desta forma a ejaculação precoce deve ser encarada também como uma doença do casal, sendo particularmente útil a participação dos dois no plano terapêutico.

Sem título-21

O tratamento passa por estratégias de alteração do comportamento sexual (como as técnicas de stop-start ou de squeeze), com baixas taxas de sucesso, até à aplicação tópica de anestésicos e à toma oral de antidepressivos do grupo dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. O uso off-label destes fármacos como a paroxetina e a sertralina revolucionou a abordagem e tratamento da ejaculação prematura. Mais recentemente dispomos de um fármaco desenvolvido especificamente para esta doença – a dapoxetina – em doses de 30 e 60 mg. Trata-se de um potente inibidor selectivo da recaptação da serotonina que é administrada 1 a 3 horas antes do contacto sexual. É rapidamente absorvida e eliminada, o que resulta em acumulação plasmática mínima.

Sem título-22

A análise integrada dos estudos fase III actualmente disponíveis vem confirmar a sua segurança e eficácia. Além da melhoria significativa do tempo de latência ejaculatória intravaginal há também uma melhoria da sensação de controlo sobre a ejaculação em cerca de 60% dos doentes bem como em todos os aspectos reportados pelos doentes como a satisfação com a sua vida sexual e redução do distress, tanto para o homem como também para a parceira. Os efeitos adversos mais frequentes foram a náusea, tonturas e cefaleias, não se observando os efeitos de classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina com o uso da dapoxetina. Não se verificou nenhum caso de síncope nos estudos mais recentes com o fármaco. Dado o seu perfil de eficácia e segurança para o tratamento da ejaculação prematura, a dapoxetina representa um avanço major no campo da medicina sexual e oferece uma nova esperança ao casal assíncrono de sincronizar o seu prazer, resultando numa maior qualidade de vida para ambos.

Um tempo de latência ejaculatória reduzida e uma percepção de perda de controlo sobre a ejaculação que geram distress pode comprometer de forma muito grave a saúde sexual do casal. Considerar a ejaculação prematura sob a forma dum casal assíncrono pode ser uma forma mais eficiente de compreender esta patologia: o homem ejacula prematuramente relativamente à fisiologia do prazer da sua companheira. A inclusão da parceira no tratamento é importante para o sucesso porque uma parceira cooperante pode aumentar a auto-confiança, capacidades, auto-estima e sentido de masculinidade e ajudar o homem a melhorar o seu controlo ejaculatório. Daí pode resultar uma melhoria da relação sexual do casal bem como noutros aspectos do seu relacionamento.